27 de março de 2009

Congresso debate a crise e sua conseqüência para os fundos de pensão


Nesta quinta feira, o debate no 10 Congresso da Anapar, centrou-se sobre a crise mundial e suas conseqüências para os trabalhadores, com ênfase nos fundos de pensão. Na parte da manhã, houve as palestras de Sergio Mendonça, técnico do DIEESE (Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sindicais e Econômicas) e de Jorge Abrão de Castro, do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômicas Aplicada).
As palestras em síntese focaram para o problema da crise econômicas mundial, suas origens e suas conseqüências, onde todos foram enfáticos em dizer que a crise mundial é uma crise sem precedentes no capitalismo moderno, superando a crise de 1929.Esta crise já queimou ativos da ordem de 50 trilhões de dólares, nas bolsas de valores do mundo.

Sergio Mendonça diz que: “O problema e que foi criado um sistema financeiro sombra, irreal, uma bolha especulativa”.Mendonça relata que não é possível em uma economia os fundos ganharem 20% sobre os ativos, quando a maioria dos paises tiveram crescimento de 5% no PIB (Produto Interno Bruto).

Segundo Mendonça, esta lógica do lucro a todo custo, criou uma superexploração da força de trabalho como nunca antes, e a invenção de artifícios financeiros sem controle , gerando a “falha” auto regulação do mercado.

Para Mendonça esta aberta uma janela de oportunidade para os trabalhadores, pois o que está colocado agora é o papel do estado na economia. Se na década de 90 o discurso era o estado fora de vários setores, agora este discurso caiu por terra. Todos os governos do mundo injetam bilhões de dólares para salvar os Bancos.O que esta ocorrendo de fato é que apesar de negar os Bancos estão sendo estatizados, não pela agenda dos partidos de esquerda, mas sim pra salvar o capitalismo do próprio capitalismo.

Jorge Abrão do IPEA seguiu a mesma linha de raciocínio de Mendonça, onde disse que a vantagem para o Brasil, diferentemente de outras crises, é que o país entrou na crise como parte da solução da crise e não parte da crise. Abrão afirmou isto com base nas reservas cambiais, na carteira de exportação do Brasil muito diversificada e com a dependência da demanda interna crescente.Outro ponto destacado por ele é o controle do governo Brasileiro sobre 50% dos bancos.

Um destaque sobre a situação da crise financeira é a situação do Citibank, que na década de 80 negociou do outro lado da mesa, acordos de nossa dívida externa. Hoje o valor das ações do Citibank que eram de 50 dólares são comercializada por menos de 1 dólar. As ações do Citibank estão sob o risco de serem tiradas da Bolsa de Nova York, porque naquela bolsa não se aceitam ações abaixo de 1 dólar.Hoje o Bradesco vale mais que o Citibank, segundo Abrão.
Tanto Mendonça como Abrão, foram enfáticos em dizer: “O que esta acontecendo nada mais é do que um acerto de contas do mundo real com o mundo financeiro”.

No painel - Crise econômica e os fundos de pensão: riscos, controle e oportunidades, o presidente da Petror (Fundo de Pensão dos Petroleiros), senhor Wagner Pinheiro de Oliveira, começou sua palestra dizendo que a crise assusta a todos, porém estamos falando que a grande vantagem dos Fundos de Pensão é de que nossos depósitos e nossos compromissos são pra 30, 40 , 50 anos. Colocado isto, a crise assusta, porém os fundos de pensão brasileiros estão bem protegidos. Na visão de Pinheiro, a regulação dos fundos com ênfase nas CGPC 13 e 18, definem diretrizes da boa Governança nos fundos de pensão.
Pinheiro relata que devemos olhar em longo prazo, pois de 2003 a 2008: a) a rentabilidade média do setor foi de 149%. B)A rentabilidade da Petros foi de 170%. C)A meta atuarial da Petros foi de 105%.
Para Pinheiro as oportunidades estão colocadas é os fundo tem o que esta em falta no mercado, que é dinheiro para aplicar em investimentos.Segundo Pinheiro, tem fundos privados que estão pagando 50% mais que a Selic(taxa básica do governo), que devemos agora aproveitar a onda baixa dos ativos das empresas e entrar mais agressivo no mercado, sempre com cautela nas analises de investimentos. Pinheiro acredita que a meta atuarial da Petros será atingida este ano apesar da crise.

Para Everaldo França, Diretor presidente do Portifolio Performance, as oportunidades estão colocadas. Hoje o mundo todo enxerga o Brasil como um local de oportunidade de investimento. Na década de 90 e inicio desta década, nas apresentações internacionais o nome do Brasil não aparecia, hoje em qualquer apresentação no mundo o nome do Brasil figura entre a melhores oportunidades de negócio. Isto quer dizer que as tendências são as empresa e os grandes fundos aportarem dinheiro nas empresas brasileiro, disputando a compra de ativos com nossos fundos de pensão.Este movimento deverá tornar os ativos mais caros, por isto neste momento as oportunidades devem ser avaliadas e aproveitadas.
Mas França destaca que, não se pode investir em empresa e fundos de investimentos que não são transparente. Outro fato é a escolha dos administradores dos fundos de investimento. Os fundo tem de acompanhar a vida destes administradores de perto. No final França repetiu a frase conhecida: “A luz do Sol é o melhor dos detergentes”.

Sobre o Blogueiro:
Rogério Ubine é carteiro na cidade de Ribeirão Preto, Diretor Nacional da FENTECT e Vice Presidente do Comitê Postal da UNI-AMÉRICAS

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