A gestora brasileira DGF Investimentos conseguiu fechar em plena crise um fundo de private equity de R$ 300 milhões. A carteira recebeu o nome de FIP Terra Viva e vai investir em etanol.
O fundo foi fechado no início de janeiro e contou com recursos de seis fundos de pensão, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Entre as fundações, participaram Previ (dos funcionários do Banco do Brasil), Petros (dos petroleiros), Funcef (Caixa Econômica Federal) e Fibra (Itaipu).
Sidney Chameh, que criou a DGF em 2001, conta que demorou 18 meses desde a ideia inicial de criar o fundo até o fechamento, em plena crise mundial. A carteira só contou com recursos nacionais. Foram inúmeras viagens para apresentar o projeto a investidores e fundos de pensão pelo país. No final de 2008, em um dos piores momentos da crise, um dos investidores, responsável por uma parcela significativa dos recursos, resolveu rever seus planos e o Terra Viva quase não saiu. Foi necessária uma nova rodada de negociações e o fundo acabou saindo dentro do planejado.
O objetivo da carteira é aplicar em projetos de etanol. A expectativa é fazer em torno de seis investimentos já a partir deste mês. As áreas de interesse passam por empresas focadas em desenvolver novos materiais e equipamentos ligados à cadeia produtiva do etanol e outros projetos relacionados à cogeração de energia a partir do bagaço da cana.
Uma terceira área de interesse é na consolidação de usinas. Esse segmento, acredita Chameh, é o que vai exigir aportes maiores do fundo, que podem chegar a R$ 90 milhões. Assim como nos outros setores da economia (como o siderúrgico, financeiro e celulose), as usinas de etanol vão passar por um processo de consolidação. "Esse mercado hoje é muito extratificado e endividado." O fundo, avisa ele, está interessado em reestruturar dívidas, mas não pretende resolver problemas de solvência de empresas.
Alavancadas, as usinas de açúcar e álcool em sua maioria enfrentam hoje escassez de crédito no mercado. Mas a crise financeira pela qual as usinas passam surge mesmo antes de a turbulência global estourar, a partir do segundo semestre do ano passado. Entre 2005 e 2008, cerca de 200 novos projetos foram anunciados por conta do boom do etanol. Mas, deste total menos da metade saiu do papel.
Com o setor em transformação, o Terra Viva prometeu rentabilidade atrativa aos cotistas, de 18% ao ano, em termos reais. A carteira pode fazer investimentos minoritários ou assumir o controle. A primeira reunião do comitê de investimentos - formado por representantes da gestora e dos cotistas do fundo - para avaliar aportes está marcada para este mês. Há outra reunião em maio. A criação do Terra Viva obrigou a DGF a abrir escritório em Ribeirão Preto, onde estão boa parte dos projetos ligados ao etanol no Brasil. Ao todo, há sete executivos dedicados à carteira.
Com o Terra Viva, a DGF passa a administrar R$ 450 milhões e contar com uma equipe de 20 pessoas. A gestora tem outros dois fundos de private equity focados em tecnologia e inovação. O primeiro, de R$ 20 milhões, foi lançado em 2002. O segundo fundo é de 2007 e tem patrimônio de R$ 100 milhões, dos quais 70% já foram investidos ou já estão em negociações finais. Com os 30% restantes, Sidney Chameh diz que o fundo deve fazer mais um ou dois investimentos, sempre na área de inovação. Nesses dois fundos, a rentabilidade prometida aos investidores oscila na casa dos 25% a 30%. (Valor)
Fonte: www.abrapp.org.br
5 de março de 2009
Fundos de pensão investem em etanol
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2 comentários:
Rogerio,
Isso prova que a nossa luta não foi em vão. Quando saimos as ruas e desafiamos o Fernando Henrique nos taxaram de radicais, de estarmos inviabilizando o prgresso e outras coisitas mais. Fica claro que o que vale mesmo é que fizemos um grande serviço a nação. Por essas e outras é que luta continua companheiros e companheiras.
Ferrer
Salvador/Bahia/Brasil
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