enquanto as captações líquidas em certificados de depósitos bancários (CDB) apresentaram em março o primeiro saldo negativo desde dezembro de 2007, as instituições de menor porte, relegadas ao papel de figurantes durante a crise, voltaram ao jogo. Com a nova cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de até R$ 20 milhões por CPF/CNPJ para depósitos a prazo com garantia especial (DPGE), os bancos de nicho já levantaram R$ 625 milhões desde 1º de abril - quando a medida do Conselho Monetário Nacional (CMN) começou a valer - até segunda-feira. Os dados são da Cetip. As taxas de captação ainda variam bastante, de 100% a 130% do CDI, o que quer dizer que o investidor poderá encontrar condições atrativas de aplicação com um risco menor.
O reforço vem num momento em que o mercado colocou um freio nas captações de CDB tradicionais. No mês passado, os resgates superaram as aplicações em R$ 2,8 bilhões, com o acumulado do ano positivo em R$ 6,8 bilhões, uma visível inflexão (-82,5%) comparado ao primeiro trimestre de 2008, quando os bancos levantaram R$ 38,8 bilhões. A liberação de compulsórios, a retomada das captações no interbancário e a menor disposição dos bancos para emprestar diante de um cenário econômico incerto estão por trás da mudança de rota.
Em abril, sob a égide da garantia especial, 16 instituições captaram. Foram emitidos 172 títulos com valor médio de R$ 3,5 milhões e prazo médio de 791 dias. "Foi como jogar água na areia, o mercado absorveu rapidamente", diz o diretor de Relações com Participantes da Cetip, Jorge Sant'Anna, que espera que o volume alcance o R$ 1 bilhão já nos próximos dias. A maioria das emissões foi em taxas ligadas ao CDI. Para os prefixados, as taxas oscilam entre 9,9% a 11%. A novidade é que já há depósitos atrelados ao IPCA.
Desde a quebra do Lehman Brothers, em setembro, os bancos menores viram sua captação cair drasticamente, num movimento nítido de busca por instituições consideradas mais seguras. Com os grandes também pagando mais quando as linhas externas secaram, os investidores não tiveram como resistir ao assédio. Antes do colapso do crédito internacional, em janeiro de 2007, os bancos com patrimônio acima de R$ 7 bilhões respondiam por aproximadamente 45% do estoque total de depósitos a prazo, proporção que chegava a 70% em março último. "A preocupação era como reverter esse ciclo, de certa maneira perigoso", diz Sant'Anna. "Esse quadro deve mudar com a proteção, que significa que o investidor estará comprando um título quase livre de risco."
A resolução do CMN estabeleceu que o depósito com cobertura especial do FGC terá garantia de até R$ 20 milhões por aplicador em cada instituição associada ao fundo. Os títulos podem ter prazo de 6 meses a 5 anos, resgatáveis a partir de 6 meses. Para fazer jus ao seguro, os bancos terão de depositar o equivalente a 1% ao ano no FGC, em comparação ao 0,15% ao ano para os CDBs tradicionais, com garantia de até R$ 60 mil.
"Um por cento é um custo alto, o que, de cara, encarece a captação", diz o presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Renato Oliva, que também comanda o Banco Cacique, adquirido em 2007 pelo Société Générale. "Embora os menores tenham uma segurança equivalente à dos bancos grandes, o custo da instituição vai ser maior em função do seguro." Conforme calcula, o peso do depósito no FGC equivale a 8% do CDI ao ano, o que quer dizer que mesmo que as instituições captassem a 100%, o custo total seria de 108%. Ele considera que, nesse novo ambiente, uma taxa de remuneração razoável oscile entre 106% e 107% do CDI, com custo o total entre 115% e 117%, ainda longe da fotografia desses primeiros dias de cobertura do FGC.
Após a medida do CMN, investidores institucionais, como fundos de pensão e de investimentos, clientes pouco habituais durante a crise, voltaram a tatear o mercado e cotar taxas de depósitos a prazo, conta o diretor de Relações com Investidores do Banco Pine, Clive Botelho. O mais importante, diz, é que a iniciativa não foi emergencial, com o objetivo de socorrer instituições com problemas. "Os fundamentos dos bancos como um todo mostram uma impressionante recuperação, os balanços do primeiro trimestre vão mostrar níveis de caixa elevados e a dinâmica de funding já vem dando sinais de retomada tanto em CDBs como em linhas de trade finance."
Um dos sinais de que o investidor continua diferenciando o risco de crédito das instituições é a variedade de taxas observadas nas emissões feitas até aqui. Segundo Profili, da Capitânea, a diferença tem ficado em 5% do CDI, dependendo do banco - em casos extremos, há instituições que pagam 10% mais. Profili conta que as cotações feitas pela gestora têm ficado entre 107,5% e 120% do CDI. De qualquer modo, acrescenta, a medida não tinha como objetivo baratear o custo de captação, mas prover o acesso de todo e qualquer banco ao funding. O primeiro efeito positivo já pode ser visto: os investidores voltaram a fazer cotações. "Há um mercado ativo agora."
Pelos dados da Cetip, a demanda até agora tem mesmo se concentrado nos fundos de investimentos. Até o dia 6, esses investidores respondiam por 60% das captações com garantia especial, seguidos pelos clientes pessoas físicas e jurídicas, com 20%, e as fundações privadas, com 7%. (Valor)
O reforço vem num momento em que o mercado colocou um freio nas captações de CDB tradicionais. No mês passado, os resgates superaram as aplicações em R$ 2,8 bilhões, com o acumulado do ano positivo em R$ 6,8 bilhões, uma visível inflexão (-82,5%) comparado ao primeiro trimestre de 2008, quando os bancos levantaram R$ 38,8 bilhões. A liberação de compulsórios, a retomada das captações no interbancário e a menor disposição dos bancos para emprestar diante de um cenário econômico incerto estão por trás da mudança de rota.
Em abril, sob a égide da garantia especial, 16 instituições captaram. Foram emitidos 172 títulos com valor médio de R$ 3,5 milhões e prazo médio de 791 dias. "Foi como jogar água na areia, o mercado absorveu rapidamente", diz o diretor de Relações com Participantes da Cetip, Jorge Sant'Anna, que espera que o volume alcance o R$ 1 bilhão já nos próximos dias. A maioria das emissões foi em taxas ligadas ao CDI. Para os prefixados, as taxas oscilam entre 9,9% a 11%. A novidade é que já há depósitos atrelados ao IPCA.
Desde a quebra do Lehman Brothers, em setembro, os bancos menores viram sua captação cair drasticamente, num movimento nítido de busca por instituições consideradas mais seguras. Com os grandes também pagando mais quando as linhas externas secaram, os investidores não tiveram como resistir ao assédio. Antes do colapso do crédito internacional, em janeiro de 2007, os bancos com patrimônio acima de R$ 7 bilhões respondiam por aproximadamente 45% do estoque total de depósitos a prazo, proporção que chegava a 70% em março último. "A preocupação era como reverter esse ciclo, de certa maneira perigoso", diz Sant'Anna. "Esse quadro deve mudar com a proteção, que significa que o investidor estará comprando um título quase livre de risco."
A resolução do CMN estabeleceu que o depósito com cobertura especial do FGC terá garantia de até R$ 20 milhões por aplicador em cada instituição associada ao fundo. Os títulos podem ter prazo de 6 meses a 5 anos, resgatáveis a partir de 6 meses. Para fazer jus ao seguro, os bancos terão de depositar o equivalente a 1% ao ano no FGC, em comparação ao 0,15% ao ano para os CDBs tradicionais, com garantia de até R$ 60 mil.
"Um por cento é um custo alto, o que, de cara, encarece a captação", diz o presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Renato Oliva, que também comanda o Banco Cacique, adquirido em 2007 pelo Société Générale. "Embora os menores tenham uma segurança equivalente à dos bancos grandes, o custo da instituição vai ser maior em função do seguro." Conforme calcula, o peso do depósito no FGC equivale a 8% do CDI ao ano, o que quer dizer que mesmo que as instituições captassem a 100%, o custo total seria de 108%. Ele considera que, nesse novo ambiente, uma taxa de remuneração razoável oscile entre 106% e 107% do CDI, com custo o total entre 115% e 117%, ainda longe da fotografia desses primeiros dias de cobertura do FGC.
Após a medida do CMN, investidores institucionais, como fundos de pensão e de investimentos, clientes pouco habituais durante a crise, voltaram a tatear o mercado e cotar taxas de depósitos a prazo, conta o diretor de Relações com Investidores do Banco Pine, Clive Botelho. O mais importante, diz, é que a iniciativa não foi emergencial, com o objetivo de socorrer instituições com problemas. "Os fundamentos dos bancos como um todo mostram uma impressionante recuperação, os balanços do primeiro trimestre vão mostrar níveis de caixa elevados e a dinâmica de funding já vem dando sinais de retomada tanto em CDBs como em linhas de trade finance."
Um dos sinais de que o investidor continua diferenciando o risco de crédito das instituições é a variedade de taxas observadas nas emissões feitas até aqui. Segundo Profili, da Capitânea, a diferença tem ficado em 5% do CDI, dependendo do banco - em casos extremos, há instituições que pagam 10% mais. Profili conta que as cotações feitas pela gestora têm ficado entre 107,5% e 120% do CDI. De qualquer modo, acrescenta, a medida não tinha como objetivo baratear o custo de captação, mas prover o acesso de todo e qualquer banco ao funding. O primeiro efeito positivo já pode ser visto: os investidores voltaram a fazer cotações. "Há um mercado ativo agora."
Pelos dados da Cetip, a demanda até agora tem mesmo se concentrado nos fundos de investimentos. Até o dia 6, esses investidores respondiam por 60% das captações com garantia especial, seguidos pelos clientes pessoas físicas e jurídicas, com 20%, e as fundações privadas, com 7%. (Valor)

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