Os fundos de pensão já demonstram interesse pelo novo recibo de depósito bancário (RDB) que contará com cobertura de até R$ 20 milhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A modalidade, que passa a valer hoje, foi desenvolvida para tentar destravar a captação dos bancos médios e, assim, ajudar na concessão de crédito para pequenas empresas.
A cobertura é vista com bons olhos e já desperta a atenção de uma das maiores fundações do país, a Funcef, dos funcionários da Caixa Econômica Federal, com patrimônio total de R$ 32,6 bilhões. "Estamos começando a receber contatos e a trocar impressões sobre taxas, uma vez que o risco ficou adequado", afirma Demósthenes Marques, diretor de investimentos do fundo.
A Funcef, completa Marques, aproveitou o ano passado para comprar certificados de depósitos bancário (CDB) de grandes bancos, que pagavam taxas entre 104% e 105% do CDI. Esses recursos são usados para casar com o dia de pagamento de benefícios, sempre nos dias 20 de casa mês.
Uma questão que ainda precisa ser avalia é a taxa que os bancos vão oferecer, diz Cesar Soares Barbosa, diretor da Sabesprev. "A decisão ainda é recente e não estamos, no momento, com intenção de investir. Se a questão fosse só o risco, poderíamos comprar, mas tem a questão do retorno. Com essa garantia do FGC, imagino que o prêmio irá diminuir".
Segundo ele, dada a queda da inflação, a meta atuarial pode ficar na casa dos 10,5% em 2009. Com a previsão de a Selic fechar o ano na casa de um dígito, os papéis privados precisam pagar pelo menos 107% do CDI apenas para igualar a necessidade atuarial. Com o agravamento da crise, o custo de captação para os bancos de médio porte atingiram níveis em torno de 130% do CDI. Já para esse novo RDB com garantia, Renato Oliva, da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), acredita que as taxas devam partir de um piso em torno de 110% do CDI, já que o FGC cobra uma taxa de 1% ao ano para oferecer a garantia. "É possível que fique em torno de 115% do CDI", avalia.
Mesmo com a garantia, alguns fundos ainda não se sentem motivados a investir. Muitos têm regras rígidas de investimento em depósitos a prazo, para se proteger de perdas enfrentadas pelo sistema no passado. Alguns contam com exigências mínimas de patrimônio e de Basiléia. Outros criaram faixas de risco, com limites de alocação de recursos e de prazos.
"Esse produto deve atrair 'assets' e gestores de 'private banking', pois oferecem uma pitada a mais de rentabilidade com uma estrutura de cobertura maior. Esse é um mundo mais simples do que o dos fundos de pensão", disse o diretor de um grande fundo. (Valor )

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