2 de abril de 2009

Fundos de pensão olham com atenção RDBs de bancos médios

Os fundos de pensão já demonstram interesse pelo novo recibo de depósito bancário (RDB) que contará com cobertura de até R$ 20 milhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A modalidade, que passa a valer hoje, foi desenvolvida para tentar destravar a captação dos bancos médios e, assim, ajudar na concessão de crédito para pequenas empresas.


A cobertura é vista com bons olhos e já desperta a atenção de uma das maiores fundações do país, a Funcef, dos funcionários da Caixa Econômica Federal, com patrimônio total de R$ 32,6 bilhões. "Estamos começando a receber contatos e a trocar impressões sobre taxas, uma vez que o risco ficou adequado", afirma Demósthenes Marques, diretor de investimentos do fundo.


A Funcef, completa Marques, aproveitou o ano passado para comprar certificados de depósitos bancário (CDB) de grandes bancos, que pagavam taxas entre 104% e 105% do CDI. Esses recursos são usados para casar com o dia de pagamento de benefícios, sempre nos dias 20 de casa mês.


Uma questão que ainda precisa ser avalia é a taxa que os bancos vão oferecer, diz Cesar Soares Barbosa, diretor da Sabesprev. "A decisão ainda é recente e não estamos, no momento, com intenção de investir. Se a questão fosse só o risco, poderíamos comprar, mas tem a questão do retorno. Com essa garantia do FGC, imagino que o prêmio irá diminuir".


Segundo ele, dada a queda da inflação, a meta atuarial pode ficar na casa dos 10,5% em 2009. Com a previsão de a Selic fechar o ano na casa de um dígito, os papéis privados precisam pagar pelo menos 107% do CDI apenas para igualar a necessidade atuarial. Com o agravamento da crise, o custo de captação para os bancos de médio porte atingiram níveis em torno de 130% do CDI. Já para esse novo RDB com garantia, Renato Oliva, da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), acredita que as taxas devam partir de um piso em torno de 110% do CDI, já que o FGC cobra uma taxa de 1% ao ano para oferecer a garantia. "É possível que fique em torno de 115% do CDI", avalia.


Mesmo com a garantia, alguns fundos ainda não se sentem motivados a investir. Muitos têm regras rígidas de investimento em depósitos a prazo, para se proteger de perdas enfrentadas pelo sistema no passado. Alguns contam com exigências mínimas de patrimônio e de Basiléia. Outros criaram faixas de risco, com limites de alocação de recursos e de prazos.


"Esse produto deve atrair 'assets' e gestores de 'private banking', pois oferecem uma pitada a mais de rentabilidade com uma estrutura de cobertura maior. Esse é um mundo mais simples do que o dos fundos de pensão", disse o diretor de um grande fundo. (Valor )

Sobre o Blogueiro:
Rogério Ubine é carteiro na cidade de Ribeirão Preto, Diretor Nacional da FENTECT e Vice Presidente do Comitê Postal da UNI-AMÉRICAS

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