O Brasil foi o país que menos sentiu os efeitos da crise em relação aos Estados Unidos e à Europa e também é o que está em processo de recuperação mais acelerado. É o que se constata ao comparar os índices de confiança da indústria do Brasil com os dos Estados Unidos e da Europa.
O termômetro usado para a comparação no Brasil foi do índice de confiança da indústria calculado pela Fundação Getulio Vargas. Em abril, o indicador registrou uma alta de 8,7% em relação a março, a quarta consecutiva, o que mostra uma consolidação da recuperação.
Já o indicador dos EUA foi o índice de gerente de compras. O da Europa foi o consolidado calculado pela União Europeia. O índice americano registrou uma alta de 1,4% em março, e o da Europa, de 5,3% em abril. A conclusão é que a economia mundial está sofrendo mais que a do Brasil.
O trabalho foi feito pelo coordenador de pesquisas da FGV, Aloisio Campelo Junior. Segundo ele, o método de cálculo da FGV segue a mesma metodologia usada tanto pelos Estados Unidos como pela União Europeia, o que torna os indicadores compatíveis.
Campelo tomou como base o comportamento do índice de confiança da indústria dos três países de 2003 até agora. O índice de confiança do Brasil, depois de uma queda no início, manteve-se elevado. Em setembro do ano passado, quando a crise se agravou, depois da quebra do Lehman Brothers, o índice no Brasil estava em um patamar bastante alto. Depois, desabou, embora menos do que nos EUA e na Europa.
Campelo atribui principalmente ao mercado interno o fato de a indústria no Brasil estar sofrendo menos com a crise, além, é claro, das medidas do governo para enfrentar a turbulência.
"O Brasil tinha mais margem de manobra tanto na política monetária como na política fiscal", diz Campelo.
Apesar de todo esse esforço, o Brasil ainda está longe de ter retomado o período pré-crise. A freada foi muito grande no final do ano passado.
Daqui para a frente, Campelo diz que o governo precisa dosar as medidas para enfrentar a crise. O receio é que essa política acabe comprometendo o esforço fiscal realizado nos últimos anos.
Para o economista, o governo não deve se assustar, por exemplo, com a perspectiva de um PIB negativo neste ano. A base de comparação é muito alta, o que compromete o indicador, independentemente da recuperação iniciada no primeiro trimestre e que parece ser mais forte agora.
Em compensação, em 2010, o PIB tem tudo para ter um desempenho melhor se não houver uma nova complicação na economia.
FONTE: Folha de S.Paulo-01.05- Guilherme Barros -
5 de maio de 2009
Crise: Brasil se recupera mais rápido
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